As férias são um dos períodos mais aguardados do ano por quem deseja descansar e viajar. No entanto, a falta de planejamento financeiro ainda pesa no bolso de muitos brasileiros. Segundo levantamento do Serasa, 49% costumam gastar mais do que haviam planejado durante as férias, tornando comum o retorno para casa acompanhado de dívidas e preocupações financeiras.
Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos, a organização antecipada é o principal caminho para aproveitar o período sem comprometer as finanças: “Quando nos organizarmos com antecedência para gastar de uma forma consciente, mais leves vão ser as férias e o pós-férias. Não é deixar de gastar, mas sim gastar de uma forma inteligente, consciente”.
Uma das principais recomendações do especialista é estabelecer um orçamento diário para evitar que pequenos excessos se transformem em grande rombo no fim da viagem. “Primeiro, tenha um limite de gastos por dia. Então, por exemplo, se vai viajar à Europa, coloque um limite por dia porque se num dia você gastar um pouco mais, no dia seguinte segura um pouco para ter como comprar presente para todo mundo ou algo do tipo”, afirma.
Além do orçamento diário, Jeff destaca a importância de manter uma reserva destinada exclusivamente aos imprevistos, tanto durante a viagem quanto para despesas inesperadas que possam surgir em casa. “Tenha uma reserva para imprevistos. E esses imprevistos vão além da viagem porque pode ser que enquanto você está viajando, a sua geladeira quebre ou até mesmo na viagem o pneu pode furar, e aí precisa ter um gasto extra, sempre pode acontecer algo não planejado. Então sempre é fundamental uma reserva para além desse gasto diário planejado”, comenta.
Internacionais
Quem pretende conhecer outro país precisa considerar fatores que vão além do preço das passagens. A oscilação cambial pode tornar a viagem mais cara quando a compra da moeda é deixada para última hora. Por isso, Jeff recomenda criar uma reserva específica na moeda do destino: “Se você for à Europa, guarde um pouquinho todos os meses em euro. Se for aos Estados Unidos ou a um país em que o dólar é a moeda principal, guarde um pouquinho em dólar todos os meses. O valor que você puder, pensando na sua viagem”.
Segundo ele, utilizar contas globais facilita o controle do orçamento durante o passeio. “Você vai viajar com tudo pago e já ter um limite. A viagem fica mais gostosa, principalmente quando você volta sem contas para pagar”, aconselha.
Destinos e custos
Estratégia interessante é combinar destinos mais caros com outros econômicos dentro do mesmo roteiro. “Na Europa, há os países que são bem mais caros e outros bem mais baratos. Se você misturar um pouco países caros e alguns baratos, a viagem fica mais dentro da realidade da maior parte dos brasileiros”, sugere.
Jeff explica que pesquisar o máximo de informações sobre o destino antes da viagem também faz diferença no orçamento. “Isso não quer dizer que você precisa comprar essa passagem de avião um, dois anos antes. Mas se conseguir ir pesquisando nas redes sociais e conversar com amigos sobre esses destinos, consegue saber que muitas vezes comer em tal lugar é mais barato”, acrescenta.
Seguro-viagem
Outro ponto considerado essencial pelo especialista é a contratação de um seguro-viagem, especialmente para países onde os custos médicos são elevados, como os Estados Unidos. Jeff lembra que muitos cartões de crédito oferecem cobertura, mas ela pode exigir que o viajante arque inicialmente com os custos para depois solicitar reembolso. “O próprio cartão de crédito já dá um seguro que protege bastante. Então, ao comprar a passagem de ida e volta com o mesmo cartão, você já ganha esse seguro. Mas qual é o detalhe? Precisa ligar para a central e muitas vezes pedir esse reembolso”, explica. Por isso, ele recomenda contratar uma cobertura adicional.
Cultura, gastos e constrangimentos
Além do planejamento financeiro, pesquisar os costumes do destino pode evitar situações desconfortáveis. Em alguns países, por exemplo, a gorjeta é obrigatória, enquanto em outros ela pode ser considerada ofensiva: “Nos EUA e no Canadá, a gorjeta é obrigatória; no Brasil e na Argentina, opcional, já no Japão e na China, é uma ofensa. E a questão da pechincha, para nós aqui, é muito bem-vindo, mas em algumas culturas não”.
Entender essas diferenças culturais antes do embarque contribui para uma viagem mais tranquila. “Quanto mais conseguir se organizar com antecedência, mais interessante e mais barata fica a sua viagem até para não passar por perrengues porque ser xingado em japonês não é legal e isso pode acontecer”, finaliza Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos.
Fonte: Adriane Galdino adriane@shzagencia.com.br/SHZ AGÊNCIA.




