O encerramento do primeiro semestre costuma ser um momento estratégico para as empresas avaliarem resultados, revisarem metas e ajustarem o planejamento para os meses seguintes. Em 2.026, esse exercício se torna ainda mais importante diante de um cenário marcado por juros elevados, pressão inflacionária, oscilações no consumo e fatores sazonais, como a Copa do Mundo e o ambiente pré-eleitoral. Dados da Serasa Experian apontam que a inadimplência empresarial segue em trajetória de alta. Em abril, o Brasil registrou um recorde histórico, com cerca de 9 milhões de empresas inadimplentes e mais de R$ 220 bilhões em dívidas.
Para o coordenador de Negociações e Estratégias Cíveis do Granito Boneli Advogados, Davi Haddad, o período exige atenção redobrada por parte dos gestores. “O meio do ano é um ponto de inflexão. É quando a empresa precisa olhar para os números com clareza e avaliar se está cumprindo o planejamento traçado ou se precisa corrigir a rota para evitar problemas maiores no segundo semestre”, afirma o advogado.
Segundo Haddad, os sinais de deterioração financeira costumam surgir gradualmente. Queda no faturamento, redução das margens, aumento do endividamento e atrasos recorrentes em pagamentos são alguns dos principais alertas. “Quando a empresa passa a depender de crédito de curto prazo para sustentar a operação do dia a dia, isso normalmente indica que o equilíbrio financeiro já está comprometido”, explica Haddad.
O cenário se torna mais preocupante quando a geração de caixa deixa de ser suficiente para honrar os compromissos assumidos. “Nesse momento, a dívida deixa de funcionar como uma ferramenta de crescimento e passa a representar um risco efetivo para a continuidade do negócio”, ressalta.
Apesar do contexto desafiador, Haddad destaca que ainda há espaço para recuperação, especialmente quando as medidas são adotadas de forma antecipada. O primeiro passo, segundo ele, é realizar um diagnóstico detalhado da situação financeira da empresa. “Sem compreender a origem dos problemas, qualquer ação tende a ser paliativa. É fundamental revisar custos, reorganizar o fluxo de caixa e analisar o passivo de forma estratégica”, orienta.
Nesse contexto, o turnaround empresarial surge como alternativa para empresas que precisam recuperar sua capacidade financeira e operacional. “Trata-se de um processo organizado de reestruturação que envolve ajustes financeiros, operacionais e estratégicos. Quanto mais cedo ele é iniciado, maiores são as chances de recuperação e preservação do negócio”, afirma.
Entre os erros mais frequentes, o advogado destaca a demora na tomada de decisão. “Muitas empresas ignoram os primeiros sinais ou tentam resolver a situação apenas com novos empréstimos. Em geral, isso aumenta o endividamento e reduz as opções disponíveis no futuro”, alerta.
Programas de renegociação, como o Desenrola 2.0, podem contribuir para aliviar parte das dívidas, especialmente entre pequenos negócios. No entanto, Haddad ressalta que essas iniciativas devem fazer parte de um planejamento mais amplo. “A renegociação é importante, mas não resolve o problema sozinha. Sem mudanças na gestão financeira, o risco de voltar à inadimplência permanece elevado”, observa.
Para ele, a busca por apoio especializado pode ser decisiva para atravessar períodos de instabilidade com maior segurança. “Mais do que rapidamente, é preciso agir de forma estratégica. Empresas que acompanham seus indicadores, revisam processos e tomam decisões baseadas em dados tendem a responder melhor aos desafios econômicos. O meio do ano não é apenas uma data no calendário, mas oportunidade concreta de corrigir rumos e construir uma retomada sustentável”, conclui o coordenador de Negociações e Estratégias Cíveis do Granito Boneli Advogados, Davi Haddad.
O escritório
O Granito Boneli Advogados é formado por profissionais com ampla expertise em Direito Público e Privado, com foco em Direito Empresarial. Oferece assessoria jurídica personalizada e completa, projetada de acordo com as necessidades específicas de cada cliente, abrangendo diversos campos de atuação, como Crise Financeira e Recuperação Empresarial, Direito Tributário, Contratos Empresariais, Planejamento Patrimonial e Sucessório, Direito Imobiliário, Relações de Consumo e Direito Trabalhista.
Reconhecido nacionalmente por diversas organizações de classificação técnica da advocacia e certificado pela ISO 9001, o escritório possui sede em Campinas (SP) e filiais em Cuiabá (MT), São Luís (MA) e Florianópolis (SC).
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