Sintomas que parecem ‘labirintite’ podem revelar outra condição: a Síndrome de Ménière

Labirintite, ou Síndrome de Ménière!? - As células da orelha interna são extremamente sensíveis às variações de glicose e insulina. Essas flutuações podem afetar o equilíbrio iônico e interferir na produção e remoção da endolinfa, o que contribui para o agravamento dos episódios. (Imagem de freepik grátis)

O recente relato do padre Fábio de Melo, sobre sofrer crises desencadeadas pelo consumo de doces, reacende a discussão sobre a Síndrome de Ménière, condição que muitas vezes passa despercebida e costuma ser confundida com ‘labirintite’. A fala do religioso traz à tona uma doença crônica que compromete a orelha interna e interfere diretamente na rotina de milhões de pessoas, como explica Naiana Rocha Arcanjo, otorrinolaringologista e otoneurologista do Hope – Hospital de Olhos de Pernambuco.

A médica detalha que a Síndrome de Ménière é marcada por episódios de vertigem, perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de pressão no ouvido. Segundo ela, esses sinais surgem “devido ao acúmulo excessivo de endolinfa dentro dos canais da orelha interna”, o que provoca um desequilíbrio entre os fluidos responsáveis pelo funcionamento adequado do sistema auditivo e vestibular. Na presença desses sintomas, reforça que “o ideal é procurar um especialista para investigar a origem do problema”.

A especialista confirma que há fundamentos científicos nessa relação. “Existem evidências que ligam alterações do metabolismo da glicose – como hiperinsulinemia, intolerância e diabetes – aos sintomas do labirinto”, afirma. Ela esclarece que as células da orelha interna são extremamente sensíveis às variações de glicose e insulina. “Essas flutuações podem afetar o equilíbrio iônico e interferir na produção e remoção da endolinfa, o que contribui para o agravamento dos episódios”, explica.

Apesar disso, a conduta terapêutica não é rígida nem universal. A otorrinolaringologista ressalta que cada caso exige avaliação individual. “Nem todos se beneficiam de dietas totalmente restritivas em açúcar, por isso trabalhamos com orientações de redução e não com proibições absolutas”, pontua. Acrescenta que o mesmo vale para outros itens frequentemente citados como gatilhos. “Restringir sal, cafeína ou álcool ainda é um tema controverso na literatura, embora essas recomendações apareçam na prática clínica por serem medidas simples e de baixo risco.”

Para a Naiana Rocha Arcanjo, “muita gente desconhece a doença e usa o termo ‘labirintite’ para qualquer tontura, o que faz com que deixem de buscar ajuda especializada”, afirma. Segundo ela, quando alguém com grande visibilidade fala sobre o assunto, contribui para quebrar mitos e estimular o diagnóstico correto. “Essa conscientização pode impactar positivamente a vida de muitas pessoas”, reforça.

O manejo da doença envolve várias abordagens complementares. “Hoje dispomos de mudanças no estilo de vida, reabilitação vestibular, medicamentos orais e intratimpânicos e, em situações mais específicas, procedimentos cirúrgicos”, explica. Como se trata de uma condição crônica, o objetivo não é a cura definitiva, mas a estabilidade dos sintomas. Por isso, ela reforça a importância do acompanhamento contínuo: “O controle depende de monitoramento regular para avaliarmos a evolução e ajustarmos o tratamento conforme necessário”, finaliza Naiana Rocha Arcanjo, otorrinolaringologista e otoneurologista do Hope – Hospital de Olhos de Pernambuco.

Fonte: Gabriel Santos da Silva <gabriel@targetsp.com.br>

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