Sensores e bombas de insulina ajudam no controle do diabetes infantil

Menos picadas, mais liberdade - Tecnologia torna o tratamento de diabetes mais seguro, reduz crises de hipoglicemia e hiperglicemia, além de melhorar a qualidade de vida de crianças e famílias. (Foto ilustrativa: Pixabay free download)

O diagnóstico de diabetes tipo 1 em crianças costuma ser um divisor de águas na rotina familiar. Exige vigilância constante, controle glicêmico rigoroso e várias picadas diárias para medição e aplicação de insulina. Em meio à nova realidade, tecnologias como sensores de glicose e bombas de insulina surgem como aliadas fundamentais para devolver qualidade de vida, segurança e autonomia aos pequenos pacientes e aos seus cuidadores.

O endocrinologista pediátrico, Luís Eduardo Calliari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Departamento de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, dá detalhes sobre a doença e explica como a tecnologia pode ajudar na qualidade de vida dos pais e dos pacientes.

O que é?

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina – hormônio essencial para a absorção da glicose pelo organismo. “Sem insulina, o açúcar permanece no sangue e pode causar uma série de complicações graves em pouco tempo. O tipo 1 costuma surgir na infância ou na adolescência e precisa de insulina desde o primeiro dia do diagnóstico”, explica Luís Eduardo Calliari.

Segundo dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil é o 3º país do mundo com mais diabético tipo 1, atrás apenas dos EUA e da Índia. São cerca de 588 mil pacientes, com número crescente de casos entre crianças.

Desafios

Ao contrário do diabetes tipo 2, que pode evoluir de forma silenciosa ao longo dos anos, o tipo 1 exige atenção imediata. “Em poucas semanas após os primeiros sintomas, a criança pode entrar em cetoacidose diabética, um quadro grave que pode levar ao coma”, alerta Calliari. E, mesmo com o diagnóstico em mãos, controlar a glicemia na infância é um desafio diário. A regulação natural feita pelo pâncreas precisa ser substituída por uma série de decisões conscientes, como controlar a alimentação, ajustar a atividade física e calcular a dose de insulina várias vezes ao dia – tudo isso enquanto lida com fatores que também afetam a glicemia, como o estresse.

Para crianças pequenas, isso significa depender inteiramente dos pais ou cuidadores para aplicar a insulina e monitorar a glicose. “O tratamento é exigente. A cada refeição, é necessário medir a glicemia, contar os carboidratos e calcular a dose exata de insulina. Sem isso, há risco tanto de hiperglicemia quanto de hipoglicemia”, explica o médico.

A hiperglicemia ocorre quando há excesso de glicose no sangue, geralmente por falta de insulina suficiente – pode causar sede excessiva, cansaço e, a longo prazo, danos a órgãos. Já a hipoglicemia é o oposto: níveis muito baixos de glicose, que podem levar a tremores, confusão mental e, em casos graves, perda de consciência. Ambas as situações são comuns em pacientes com diabetes tipo 1 e exigem atenção imediata – especialmente em crianças, que nem sempre conseguem reconhecer ou comunicar os sintomas.

Tecnologia

Na rotina tradicional, o monitoramento da glicemia é feito com picadas no dedo, de 4 a 6 vezes ao dia – a aplicação de insulina é feita com seringas ou canetas. Com o avanço tecnológico, surgiram os sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGMs) e as bombas de infusão de insulina, que vêm ganhando espaço no Brasil.

O sensor é um pequeno filamento colocado sob a pele (geralmente no braço ou abdômen), que envia leituras contínuas da glicose para um leitor ou smartphone. Com ele, é possível saber a qualquer momento se os níveis estão subindo ou caindo, o que reduz o risco de crises graves.

Já a bomba de insulina, como o sistema MiniMed 780G da Medtronic – atualmente o único com integração entre sensor e bomba aprovado no Brasil -, representa um salto ainda maior. Ela automatiza a liberação de insulina de acordo com os dados enviados pelo sensor, simulando a função do pâncreas. “Ela calcula e corrige automaticamente a dose de insulina, inclusive durante a noite, o que reduz significativamente episódios de hipoglicemia e melhora o controle como um todo”, explica Calliari.

Qualidade de vida

Com o sistema automatizado, a criança não precisa mais interromper atividades escolares, brincadeiras ou momentos sociais para realizar medições constantes. A bomba faz os cálculos em tempo real e libera a insulina conforme a necessidade, com uma margem de segurança muito maior. “O que vemos, na prática, é uma melhoria enorme na qualidade de vida – não só da criança, mas também dos pais. Eles conseguem ver resultados melhores com menos esforço, sabendo que o sistema está controlando a glicose mesmo durante a madrugada”, diz o endocrinologista pediátrico, Luís Eduardo Calliari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Departamento de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Fonte: Burson Marsteller <matheus.duarte=bursonglobal.com@pr-agencia.com>

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