Sempre vale chamar a atenção para a importância do tratamento precoce de patologias oculares raras que afetam milhões de brasileiros e podem levar à perda irreversível da visão. Daí dar visibilidade e agilizar os diagnósticos destas enfermidades.
Um dos problemas enfrentados por quem possui uma doença rara é a identificação tardia da enfermidade como consequência da falta de informação. De acordo com o Ministério da Saúde, o paciente chega a consultar em média 10 médicos antes de obter a resposta correta para seus sintomas.
Mayra Leite, oftalmologista do H. Olhos, explica que “a maioria das doenças oculares raras é de origem genética e se manifesta principalmente na infância. Muitas delas são progressivas e degenerativas, deterioram estruturas oculares de forma irreversível. Identificá-las o quanto antes é fundamental para preservar a visão e a qualidade de vida do paciente”.
Hoje o cuidado começa assim que o bebê nasce, ainda na maternidade, com a realização do teste do reflexo vermelho (TRV), popularmente conhecido como ‘teste do olhinho’. O exame é feito com o uso do oftalmoscópio indireto, dispositivo que emite um feixe de luz vermelho no olho do recém-nascido para observar o reflexo gerado na retina.
O ‘teste do olhinho’ é fundamental para a identificação precoce de enfermidades nos olhos, algumas delas raras, mas ele é apenas o primeiro passo. “Para prevenir doenças oculares, é importante que o bebê passe pela primeira consulta oftalmológica completa entre os seis meses e o primeiro ano de vida, ou ao nascimento, se for prematuro. O acompanhamento com o especialista deverá ser feito regularmente, até os sete anos de idade”, recomenda a médica Mayra Leite.
Doenças oculares infantis raras que exigem atenção
– Anirídia, malformação congênita caracterizada pela ausência total ou parcial da íris, a parte colorida do olho. Causa extrema sensibilidade à luz e baixa acuidade visual, podendo levar a complicações como glaucoma e catarata.
– Catarata congênita, condição que pode afetar um ou ambos os olhos, caracterizada pela opacificação do cristalino do olho. Pode causar cegueira, se não for tratada precocemente.
– Glaucoma congênito, uma das principais causas de perda de visão na infância, geralmente é diagnosticado no primeiro ano de vida. A doença é causada pelo desenvolvimento anormal do sistema de drenagem ocular durante a gestação.
– Retinoblastoma, tumor ocular maligno que afeta principalmente crianças, a doença se desenvolve na retina, parte do olho que é sensível à luz. Alguns dos sinais são reflexo branco na pupila, estrabismo, inflamação e visão prejudicada.
– Síndrome de Coloboma, também conhecida como ‘olho de gato’, pode causar deformações na íris, retina, pálpebra ou nervo óptico. O olho fica com aparência semelhante à de um gato, geralmente com redução da visão – nos casos mais graves, pode provocar cegueira.
Pais e cuidadores devem ficar atentos a sintomas como dificuldade de adaptação ao escuro, sensibilidade excessiva à luz, movimentos oculares involuntários, mudança na percepção de cores e baixa acuidade visual. Embora a maioria das doenças raras não tenha uma cura definitiva, o diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais para o controlar a enfermidade e evitar sua progressão.
Fonte: Sig Eikmeier <sig@targetsp.com.br>




