Considerada uma questão de saúde pública e uma condição de alto risco, com sérias implicações para a saúde física, emocional e social de mães e filhos, a gravidez na adolescência impõe desafios significativos tanto aos sistemas de saúde quanto a todos os envolvidos nesse contexto. No Brasil, os indicadores mais recentes apontam uma redução importante no índice de casos nos últimos anos.
De acordo com o levantamento apresentado pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2.024, registrados 141 mil partos de adolescentes com idade entre 10 e 19 anos. É uma redução significativa se comparada ao mesmo período em 2.014, quando ocorreram mais de 286 mil partos no país. Apesar dessa queda, os números ainda são preocupantes e tornam decisivos as iniciativas voltadas ao acolhimento e apoio às meninas e jovens que passam por essa situação.
Dentre os muitos projetos desenvolvidos no Brasil, destaca-se o AME (Acolhimento, Mediação e Encaminhamento), idealizado pela Demà Aprendiz, tecnologia social da Renapsi. O programa foi criado para proporcionar um atendimento humanizado, individualizado e integral ao adolescente e ao jovem, considerando seus aspectos humano, social, educativo, cognitivo, emocional e relacional, indo além da relação profissional.
Além da assistência integral, o programa também realiza visitas domiciliares e ações com grupos de convivência para fortalecer os vínculos emocionais, com trocas de experiências que ampliam a visão das famílias sobre o momento que a jovem está vivendo. “A iniciativa entrega um apoio abrangente a jovens grávidas e é de suma importância por diversas razões cruciais, que se entrelaçam com questões sociais, de saúde, educação e economia do país”, detalha Aline Mariano, coordenadora psicossocial do programa.
Ainda de acordo com Aline, além de identificar e avaliar a situação psicossocial do jovem aprendiz, o programa também assegura amparo para as dificuldades e os desafios encontrados, como a gravidez precoce.
É importante destacar que, “em caso de gestação, asseguramos a continuidade do contrato de aprendizagem, o que dá à jovem aprendiz a segurança de manter seu vínculo de trabalho e formação, e é fundamental para sua autonomia e a do futuro bebê. Além disso, a licença-maternidade de 120 dias consecutivos é assegurada. Também é importante observar que, por meio da Renapsi e as parcerias com órgãos de saúde, como as secretarias municipais de saúde, promovemos ações educativas e em saúde aos aprendizes, incluindo palestras sobre métodos contraceptivos, prevenção de ISTs, importância da vacinação e de cuidados com a saúde sexual e reprodutiva. Um reflexo do compromisso com um trabalho preventivo e de conscientização, além do apoio às jovens que já estão grávidas”, detalha.
Acolhimento
Com atividades desenvolvidas em diversas localidades, o programa acompanha 218 adolescentes e jovens mães em todo o Brasil e conta com benefícios reconhecidos e valorizados pelo seu principal público: as futuras mamães.
A Demà Aprendiz pretende atender 300 gestantes e ampliar parcerias com redes públicas de ensino e saúde. A estratégia busca quebrar o ciclo de exclusão social frequentemente associado à maternidade precoce e mostrar que políticas públicas aliadas ao setor privado podem transformar realidades.
“Nosso papel é assegurar que a maternidade não interrompa sonhos, mas que seja acolhida com suporte, informação e oportunidade”, conclui Aline Mariano.
Fonte: pedro.vallada@fsb.com.br/FSB Comunicação




