Nunca é demais reforçar a importância de olhar com mais atenção para os impactos do diabetes na saúde ocular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), existem no Brasil mais de 13 milhões com diabetes, o que representa 6,9% da população. O número crescente de diagnósticos preocupa, já que o diabetes pode comprometer seriamente a visão e levar à cegueira se não houver acompanhamento regular com o oftalmologista.
O excesso de glicose no sangue danifica os vasos da retina, que é o tecido responsável por captar as imagens dentro do olho. “Com o tempo, esses vasos podem sofrer extravasamentos ou crescer de forma anormal, comprometendo a visão”, explica Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo, do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH). Segundo ele, a retinopatia diabética é uma das principais causas de perda visual evitável no mundo entre diabéticos.
Além da retinopatia, o diabetes pode causar catarata precoce, glaucoma e alterações na superfície ocular, o que pode agravar ainda mais o quadro visual. “Essas condições podem aparecer isoladamente ou em conjunto, principalmente quando o controle glicêmico não é adequado”, alerta o médico.
Os primeiros sinais de que algo não vai bem costumam ser visão borrada, manchas no campo visual ou perda súbita da visão. No entanto, o especialista lembra que o perigo está justamente na falta de sintomas. “A retinopatia diabética pode evoluir silenciosamente nas fases iniciais. Por isso, o rastreio regular é essencial para evitar danos permanentes”, reforça.
De acordo com o médico, o diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho, conhecido como mapeamento de retina. Quando indicado pelo oftalmologista, pode ser complementado por testes como a tomografia de coerência óptica (OCT) e a angiografia fluoresceínica, que ajudam a identificar o grau de comprometimento e a evolução da patologia. “A avaliação com fundoscopia é fundamental e o primeiro passo para detectar precocemente a retinopatia diabética e definir o melhor tratamento”, explica Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo, do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).
O tratamento varia conforme o estágio da doença. “Nas fases iniciais, o controle rigoroso da glicemia e dos fatores de risco é a base do cuidado. Quando há progressão, podem ser necessárias injeções intraoculares, tratamento a laser ou até cirurgia vítreo-retiniana, sempre com o objetivo de estabilizar o quadro e preservar a visão”, destaca o oftalmologista. Ele ressalta, porém, que a retinopatia diabética não tem cura definitiva, mas pode ser controlada de forma eficaz quando diagnosticada a tempo.
A prevenção segue como a melhor estratégia. “Controlar a glicemia, a pressão arterial, o colesterol, manter hábitos saudáveis e evitar o tabagismo são medidas extremamente importantes no manejo da retinopatia diabética”, orienta Lucas Assis Costa, oftalmologista. Ele reforça que as consultas oftalmológicas devem ser anuais, ou com menores intervalos quando há alterações detectadas.
O controle do diabetes não só protege os olhos como melhora a saúde geral do paciente. “Estudos mostram que o bom controle da glicemia reduz significativamente o risco de desenvolver ou agravar a retinopatia. Pequenas variações são esperadas, mas níveis altos de glicose por longos períodos aceleram o dano aos vasos retinianos”, acrescenta o especialista.
Alguns pacientes merecem atenção redobrada, como os que convivem com o diabetes há muitos anos, especialmente quando há histórico de descontrole glicêmico – e pacientes que fazem uso de insulina, como os diabéticos tipo 1. Além disso, enfatiza-se maior cautela nos portadores de outras comorbidades como hipertensão e dislipidemia (colesterol alto) e nas gestantes diabéticas. “Esses grupos devem ser acompanhados com ainda mais rigor”, recomenda o médico.
Cuidar da visão faz parte do tratamento do diabetes. “A retinopatia diabética é silenciosa, mas totalmente evitável. Consultar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano pode fazer a diferença entre preservar a visão e enfrentar uma perda visual permanente. Com prevenção e acompanhamento adequados, é possível manter uma boa qualidade de vida e enxergar bem por muitos anos”, finaliza Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).
Fonte: Gabriel Santos da Silva <gabriel@targetsp.com.br>




