Desafios e benefícios da alfabetização bilíngue desde a infância

Infância - Fase ideal para aprender um segundo idioma. (Imagem ilustrativa: Freepik grátis)

Sempre é válido reforçar a importância da leitura e da escrita no desenvolvimento humano. Nos novos tempos, o assunto ganha novos contornos com a alfabetização bilíngue, cada vez mais em alta. Especialistas apontam que iniciar o processo desde a infância amplia não apenas o domínio de diferentes línguas, mas também habilidades cognitivas, sociais e culturais.

“A infância é considerada a melhor janela para introduzir um segundo idioma, porque o cérebro da criança é mais receptivo e aprende com naturalidade, sem as barreiras típicas dos adultos”, explica Eloísa Monteiro, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick (São Paulo/SP).

Nessa fase, a plasticidade cerebral permite que a criança associe sons, palavras e estruturas gramaticais de maneira espontânea, sem precisar de longas explicações teóricas. É como se o contato precoce com o idioma fosse absorvido de forma orgânica, da mesma maneira como acontece com a língua materna.

Segundo a especialista, quanto mais cedo essa exposição acontece, maiores são as chances de o aluno desenvolver fluência com pronúncia mais próxima da de um nativo e de compreender nuances da linguagem que não seriam aprendidas tão facilmente em idades posteriores. “Além disso, a alfabetização bilíngue desde a infância contribui para o fortalecimento de habilidades cognitivas, como memória, atenção e raciocínio lógico, oferecendo bases sólidas para a aprendizagem ao longo da vida”, acrescenta Eloísa.

Semelhanças e diferenças

Tanto no português quanto no inglês, a alfabetização parte do reconhecimento do mesmo alfabeto, o latino, o que facilita o processo inicial de identificação das letras e dos sons. Em ambas as línguas, a criança aprende a associar grafemas (letras) a fonemas (sons) e, a partir dessa relação, formar sílabas, construir palavras e compreender o sentido dos textos.

As diferenças, no entanto, aparecem na forma como essa correspondência se estabelece. “O inglês possui mais irregularidades na relação entre sons e letras, o que exige estratégias diferenciadas em sala de aula. Já, no português, essa ligação tende a ser mais direta e previsível”, detalha Jacqueline de Freitas Cappellano, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville (Barueri/SP).

Segundo a educadora, essa vivência paralela não confunde: “ao contrário, amplia a consciência fonológica, fortalece o repertório linguístico e desenvolve a capacidade de transitar entre diferentes códigos de linguagem. O mais importante neste processo é que haja instrução explícita em ambas as línguas. O processo de alfabetização requer a aquisição de habilidades específicas, tais como o desenvolvimento da linguagem oral e da consciência fonológica, expansão do vocabulário e do conhecimento do princípio alfabético. É por meio de um trabalho sistemático, intencional e baseado na ciência da leitura e da escrita, em sala de aula, que são construídas as bases sólidas para a alfabetização.”

Bilinguismo desde cedo

Os ganhos vão muito além da fluência em outra língua. Crianças alfabetizadas em ambientes bilíngues apresentam maior flexibilidade cognitiva, desenvolvem melhor memória de trabalho e habilidades de resolução de problemas. Além disso, ficam mais abertas a novas culturas e perspectivas de mundo.

“O bilinguismo contribui não apenas para a vida acadêmica, mas também para a formação integral do indivíduo. Em um cenário globalizado, a alfabetização bilíngue surge como oportunidade de desenvolvimento e inclusão, reforçando o papel da educação como motor de transformação social. As crianças são preparadas para se tornarem cidadãs globais, capazes de se comunicar e se adaptar em diferentes contextos”, finaliza Cláudia Andreazza, coordenadora do colégio Progresso Bilíngue (Itu/SP).

Especialistas

Cláudia Andreazza é pedagoga, pós-graduada em docência da língua inglesa, com 16 anos de experiência em Educação, atuando dentro e fora da sala de aula. Atualmente é coordenadora do currículo bilíngue do Kindergarten e Elementary school no Colégio Progresso Bilíngue Itu.

Eloísa Monteiro é pedagoga bilíngue, especializada em infâncias e apaixonada pelo desenvolvimento dos primeiros anos de vida. Seu olhar atento para a alfabetização em duas línguas e para as nuances do ensino bilíngue reflete o compromisso em proporcionar experiências significativas às crianças. Coordenadora dedicada, Eloísa valoriza cada interação com os pequenos e suas famílias, acreditando que o acolhimento é a base para uma aprendizagem segura e afetiva. Para ela, a educação vai muito além do ensino – é um espaço de encontros, descobertas e construção de vínculos.

Jacqueline Cappellano é pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas um caminho para a paz entre os povos.

Fonte: Vagner Lima <vagner.lima@fsb.com.br>

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