Autodiagnóstico com base em vídeos da internet

Popularização - Conteúdos superficiais sobre saúde mental podem atrapalhar diagnóstico e causar transtornos em crianças e adolescentes. (Foto ilustrativa: Pixabay free download)

Com a popularização de vídeos curtos sobre saúde mental nas redes sociais, cresce o número de adolescentes que chegam aos consultórios médicos já se autodefinindo como “bipolares”, “TDAH” ou “borderlines”, sem qualquer avaliação profissional. O alerta é de Carla Vieira, psiquiatra do Caps Infantojuvenil II M’Boi Mirim, unidade gerenciada pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), que destaca os riscos do autodiagnóstico e o impacto do ambiente digital na saúde emocional dos jovens.

É cada vez mais comum ver adolescentes buscando explicações para o que sentem com base em vídeos virais. “Isso pode mascarar transtornos reais, reforçar rótulos e dificultar o acesso ao tratamento correto. O diagnóstico precoce é importante, mas precisa ser feito com critério clínico, não por influência digital”, explica a médica.

Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2.024 mostram que 93% da população entre 9 e 17 anos no Brasil está conectada à internet – 83% têm perfis em redes sociais como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. No entanto, o uso excessivo vem acompanhado de efeitos colaterais: 29% relatam ter passado por situações desagradáveis nas redes, enquanto 22% afirmam que deixaram de passar tempo com a família ou fazer tarefas escolares por conta do tempo on-line.

Segundo a especialista do Cejam, adolescentes com histórico de trauma, bullying ou diagnóstico prévio de transtornos mentais são particularmente vulneráveis ao impacto negativo das redes. O uso intenso pode interferir diretamente na construção da autoestima e da identidade de crianças e adolescentes. “A comparação constante com os outros fragiliza o senso de identidade, aumenta a ansiedade e pode levar à depressão. A grama do vizinho sempre parece mais verde e isso, já difícil na vida adulta, é ainda mais complexo na adolescência, quando o cérebro ainda está em formação e a tomada de decisões é mais impulsiva”, afirma.

Outro fator preocupante é o cyberbullying, que está associado a riscos elevados de depressão, automutilação e ideação suicida. Além disso, conteúdos violentos ou autodestrutivos podem reforçar comportamentos de risco, especialmente em jovens emocionalmente fragilizados.

Para lidar com esse cenário, Carla reforça que é papel do profissional acolher o jovem, validar seu sofrimento e promover informações com base em evidências científicas. “É essencial explicar o que é informação confiável e estimular o senso crítico sobre conteúdo on-line. Cada indivíduo é único e precisamos reforçar a autoestima e a individualidade desses jovens.”

Carla Vieira, psiquiatra do Caps Infantojuvenil II M’Boi Mirim, ressalta também que o uso consciente das redes pode ser um aliado na promoção da saúde mental “Campanhas educativas, comunidades de apoio, perfis com conteúdo sério e acessível podem ser ferramentas poderosas. Mas é fundamental que pais e responsáveis acompanhem de perto o que os jovens estão consumindo on-line, mesmo respeitando sua privacidade, isso deve ser feito com responsabilidade.”

A instituição

O Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1.991, atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Ribeirão Preto, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O Cejam é considerado uma instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2.025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da instituição.

No ano de 2.025, a organização lança a Campanha “365 novos dias de saúde, inovação e solidariedade”, reforçando seu compromisso com os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança).

Siga o Cejam nas redes sociais (@cejamoficial).

Fonte:deusarina.santana=maquinacohnwolfe.com@pr-agencia.com/cejam@maquinacw.com

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