O segundo semestre letivo está para começar. Com ele, dúvidas, expectativas e os desafios da readaptação de alunos e famílias. Afinal, após semanas com horários flexíveis para dormir até mais tarde, uma rotina flexível e maior tempo livre, o retorno à escola exige um novo equilíbrio físico, emocional e cognitivo!
Para tornar essa transição mais tranquila, quatro educadores compartilham dicas para pais e responsáveis.
1. Reprograme a rotina na semana que antecede a volta às aulas.
Aos poucos, antecipe os horários de dormir e de acordar das crianças – retome hábitos, como tempo para leitura e períodos de estudo. “Reintroduzir rotinas com antecedência reduz o impacto da transição. Isso dá segurança à criança, porque sinaliza previsibilidade e estrutura, elementos essenciais no processo de aprendizagem”, afirma o orientador educacional do Brazilian International School – BIS, da Capital Paulista, Carlos Augusto Lima.
2. Cuidado com o sono e limite o uso de celulares à noite!
Sono de qualidade é fator-chave para o desempenho escolar. Reduzir o uso de telas ao menos uma hora antes de dormir melhora a produção de melatonina e favorece o descanso. “O excesso de estímulos luminosos e informacionais afeta a consolidação da memória e o humor. Crianças descansadas aprendem melhor e se adaptam mais rápido à rotina escolar”, diz Lima. Quando não dormimos o suficiente, nosso cérebro não tem tempo para processar e armazenar todas as informações que aprendemos. A falta de sono afeta nossa capacidade de concentração e atenção. Por isso, ao dormir, deixe o celular fora do espaço no qual o jovem dorme.
3. Planeje a alimentação.
Retomar o padrão alimentar escolar com lanches saudáveis e horários bem definidos ajuda a manter a energia e a concentração durante o dia. “Uma nutrição equilibrada é parte da experiência pedagógica. O corpo precisa de combustível de qualidade para sustentar os processos cognitivos e emocionais do aluno”, pontua o orientador educacional do BIS.
4. Envolva o estudante nos preparativos.
Deixar a criança ajudar a organizar a mochila ou escolher o novo caderno aumenta o vínculo com a escola. “Participar da organização dos materiais estimula a autonomia e fortalece o senso de pertencimento. A criança se sente parte ativa da própria jornada escolar”, aponta a diretora da Escola Bilíngue Aubrick, da Capital Paulista, Fátima Lopes.
5. Dialogue com o estudante sobre medos e ansiedades.
Converse abertamente sobre como o estudante está se sentindo. Às vezes, o desconforto vem de inseguranças que podem ser suavizadas com empatia. “Ouvir, sem julgar, é um gesto educativo. Quando o adulto valida os sentimentos da criança, ela se sente respeitada e mais preparada para enfrentar os desafios da volta às aulas”, diz Fátima.
6. Reencontrar os amigos antes do retorno ajuda na adaptação.
Se possível, marque um encontro com colegas antes do primeiro dia. A volta se torna mais leve com vínculos reativados. “O pertencimento ao grupo é um dos maiores motivadores da ida à escola. A antecipação positiva, por meio do reencontro com amigos, traz acolhimento emocional”, afirma a diretora da Aubrick.
7. Para quem está mudando de escola, visite o novo espaço antes do início das aulas.
Familiarizar-se com o ambiente reduz o estranhamento e a ansiedade. Uma caminhada pela escola, conhecer o pátio ou a sala de aula pode fazer a diferença. “A ambientação visual e espacial contribui para que a criança se sinta segura. Ela começa a criar imagens mentais que se tornam âncoras de conforto nos primeiros dias”, explica o diretor da Escola Internacional de Alphaville – EIA, Carlos Maffia Neto.
8. Ajude a criança a encarar a realidade: sem recompensas ou cobranças.
Evite prometer prêmios por bom comportamento ou impor metas rígidas. Isso pode gerar ansiedade ou desmotivação. “A aprendizagem é um processo contínuo e deve ser valorizada por si só, não por recompensas externas. Pressão excessiva afasta o prazer de aprender”, acrescenta o diretor da EIA.
9. Lembre-se de que cada criança é única.
Não compare seu filho com colegas, irmãos ou com a versão idealizada que você criou. Cada um tem seu tempo. “Comparações inibem a autoestima e atrapalham a autorregulação emocional. Respeitar a singularidade é reconhecer o ritmo natural do desenvolvimento”, alerta o docente.
10. A readaptação é um processo.
A readaptação leva tempo – deve ser encarada com paciência e constância. Oscilações de humor, cansaço e até um pouco de resistência são esperadas. “A readaptação é como ajustar um instrumento musical: exige afinação, escuta e regulagens finas. Com acolhimento e afeto, o processo acontece”, orienta a coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas/SP, Luísa Cassaniga.
11. Acompanhe e tenha atenção aos primeiros dias.
Esteja mais presente na primeira semana. Ouvir relatos, perguntar sobre o dia e observar comportamentos é essencial. “Os primeiros dias sinalizam como está a adaptação. Pequenos sinais, como mudanças de humor, podem indicar que algo precisa ser ajustado com apoio e diálogo”, orienta Luísa.
12. Confie na parceria escola-família.
A comunicação aberta entre pais, responsáveis e escola é um dos pilares para o sucesso da readaptação. “A confiança mútua favorece intervenções assertivas. Quando há acolhimento e escuta verdadeira das duas partes, o processo se torna mais leve e consistente”, finaliza a coordenadora do Progresso Bilíngue.
Os especialistas
Carlos Augusto Lima é mestre em Psicologia da Educação e doutor em Educação Matemática pela PUC-SP. Avaliador do PNLD, autor de livros, artigos, capítulos e organizador de livros. Atua desde 1.989 na área de educação. Coordenador de curso desde 2.011 em escolas da rede privada. É orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo, Capital.
Carlos Maffia Neto possui formação na área de educação, atualmente cursa mestrado na Framingham University. Profissionalmente, atua há mais de 20 anos como gestor de escolas internacionais e bilíngues de destaque no cenário nacional. É diretor geral da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP).
Fatima Lopes é pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área de educação. De sua primeira formação, em enfermagem, ela mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Luísa Cassaniga é mestre em Educação, com experiência na área. Atua há 14 anos com foco no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com especial atenção aos aspectos socioemocionais. Atualmente, é coordenadora pedagógica, papel em que alia escuta sensível, conhecimento técnico e gestão humanizada. É apaixonada por criar contextos educativos acolhedores, em que o vínculo e o cuidado impulsionam a aprendizagem.
Fonte: <vagner.lima@fsb.com.br>




