Um cadastro que pode mudar vidas: a importância da doação de medula óssea

Transplante de medula óssea - Possibilidade de cura para 80 doenças, entre elas, leucemias, linfomas, anemias graves e desordens raras do sistema imunológico, Em Bebedouro, o interessado em doar sua medula pode efetuar o cadastramento no Hemocentro, em anexo ao Hospital Municipal, nos altos da Av. Raul Furquim, no Jd. Júlia. (Crédito: arquivo pessoal)

Em 2.023, aos 9 anos, Arthur Barão Massan foi diagnosticado com Anemia de Fanconi, doença genética rara que causa falência progressiva da medula óssea. A família recebeu a informação de que o menino precisaria de um transplante para ter uma nova chance de vida. Sem nenhum familiar com condições de doar, teve início a busca por um doador não aparentado, processo que depende inteiramente da generosidade de estranhos cadastrados em registros ao redor do mundo.

Do outro lado do Atlântico, um jovem alemão decidiu cadastrar-se no registro nacional de doadores de medula óssea de seu país. Foi um gesto simples, quase burocrático, feito sem imaginar o alcance que poderia ter. Tempos depois, o doador recebeu uma ligação informando que seu tipo de tecido era compatível com o de uma pessoa doente. Na hora, aceitou fazer os exames complementares e seguir com a doação. A medula viajou da Alemanha até o Brasil – e o transplante de Arthur foi realizado. Meses depois, a família comemorava a notícia de que a medula havia “pegado”.

O que está por trás

Em histórias como a de Arthur e seu doador há um sistema de registros que conecta, silenciosamente, doadores anônimos a pacientes em qualquer parte do mundo. O transplante de medula óssea é a chance de cura para doenças como leucemias, linfomas, anemias graves e desordens raras do sistema imunológico.

No Brasil, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) reúne hoje 5,9 milhões de voluntários cadastrados, com cerca de 125 mil novos cadastros por ano. O país realiza mais de 300 coletas de medula óssea por ano e mantém um intercâmbio ativo com bancos internacionais: são mais de 1,8 mil células importadas para pacientes brasileiros e 800 doadas a pacientes de outros países.

Cerca de 65% dos enfermos no Brasil que encontram um doador de medula óssea compatível o localizam no Redome, que integra ainda uma rede de cooperação internacional com quase cem registros ao redor do mundo, totalizando 43 milhões de doadores.

Apesar do banco robusto, o terceiro maior do mundo, atrás apenas do existente nos Estados Unidos e na Alemanha, encontrar um doador totalmente compatível fora da família pode ser difícil – a probabilidade varia conforme as características genéticas e a ancestralidade do paciente. Por isso, a diversidade dos cadastros é decisiva para ampliar as possibilidades de quem espera.

Quanto mais for o número de doadores cadastrados, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível. “O Brasil é um país muito miscigenado – e é fundamental que essa diversidade também esteja representada no Redome”, considera Cilmara Cristina Kuwahara, médica responsável pelo Serviço de TMO do Hospital Pequeno Príncipe.

A especialista lembra ainda que, uma vez cadastrado, o voluntário só será procurado se surgir um paciente compatível e, mesmo assim, passará por novos exames antes de qualquer doação. Por isso, manter os dados de contato atualizados é tão importante quanto cadastrar-se.

Referência e alerta

No Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional no tratamento pediátrico de doenças malignas e não malignas, falências medulares e doenças raras, o Serviço de Transplante de Medula Óssea realizou 67 procedimentos em 2.025. Com dez leitos, o serviço atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de convênios e particulares.

Como tornar-se um doador

•    ter entre 18 e 35 anos no momento do cadastro;

•    estar em bom estado geral de saúde, sem infecções ou doenças impeditivas;

•    procurar um hemocentro com documento oficial de identificação com foto;

•    preencher a ficha de cadastro;

•    realizar a coleta de uma amostra de sangue de 5 ml.

O cadastro é feito nos hemocentros – o registro permanece ativo até os 60 anos.

O Pequeno Príncipe

Com sede em Curitiba (PR), trata-se do maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais.

Com 369 leitos (76 de UTI), o hospital promove 76% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2.025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 308 transplantes. Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1.970, já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria.

Junto com a Faculdades Pequeno Príncipe e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, compõe o Complexo Pequeno Príncipe. Essa atuação em assistência, ensino e pesquisa – conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo – tem transformado milhares de vidas anualmente, garantindo-lhe reconhecimento internacional.

Em 2.026, o Pequeno Príncipe foi listado como os 63 melhores hospitais do mundo que atua com pediatria (ou que atendem crianças) no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo sexto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também é reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde por meio de certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.

Desde 2.019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.

Fonte: Hospital Pequeno Príncipe <aniela.almeida@hpp.org.br>

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