No inverno, é comum cuidar do ressecamento da pele e dos lábios, mas se esquece dos olhos. Nem sempre se percebe que alguns desconfortos oculares nesta época do ano acontecem devido à exposição prolongada ao vento frio e seco, que intensifica a perda natural da umidade da superfície ocular. Daí, a ardência, lacrimejamento, a coceira e, até mesmo, o embaçamento visual. A situação é ainda mais incômoda para quem sofre com a Síndrome do Olho Seco, disfunção na qual as lágrimas evaporam mais rapidamente do que o normal.
Em julho, historicamente, são registradas as temperaturas mais baixas do ano, por isso o mês também marca a campanha de conscientização sobre o olho seco “Julho Turquesa”, cujo objetivo é informar a população sobre sinais, sintomas e tratamento dessa condição, que afeta cerca de 27 milhões de brasileiros.
E quais são as causas do olho seco? O aumento da evaporação das lágrimas (olho seco evaporativo) decorre de fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais. Entre os primeiros, além do clima muito frio (ou muito quente), estão a poluição e a exposição prolongada ao ar-condicionado e a aquecedores. Entre os motivos fisiológicos, está a disfunção das glândulas de Meibomius, localizadas nas margens internas das pálpebras. “Elas são responsáveis pela produção do meibum, substância oleosa que compõe a camada lipídica da lágrima, a qual impede a evaporação precoce de outra camada, a aquosa. Dessa forma, é mantida a lubrificação e a estabilidade da superfície dos olhos”, explica Patrícia Kakizaki, oftalmologista e consultora da ZEISS Vision Brasil.
Já os comportamentos que contribuem para o ressecamento dos olhos incluem o uso excessivo de celulares, tablets e computadores. “O tempo de tela tem um grande impacto, pois reduz a quantidade de vezes que piscamos. A liberação do meibum ocorre principalmente quando piscamos, pois os músculos das pálpebras pressionam as glândulas e, assim, essa substância é espalhada pelo olho, estabilizando o filme lacrimal e impedindo sua evaporação”, afirma a oftalmologista.
Você pode adotar algumas medidas simples para reduzir o desconforto dos olhos secos e a proteger a saúde ocular durante os dias frios.
- Bastante água.
Nos dias mais frios, algumas pessoas sentem menos sede e acabam reduzindo a ingestão de líquidos, o que pode contribuir para o ressecamento ocular. É importante manter a hidratação do organismo, pois isso favorece a produção adequada das lágrimas.
- Pausas durante o uso de computadores e celulares.
Uma estratégia simples é seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe por 20 segundos para um ponto a cerca de 20 pés (aproximadamente 6 metros) de distância. O hábito ajuda a relaxar a musculatura ocular e estimula a lubrificação natural dos olhos. Também é válido piscar conscientemente mais vezes ao utilizar telas digitais.
- Evite exposição prolongada a aquecedores.
Estes dispositivos ressecam o ambiente e favorecem a evaporação do filme lacrimal. Ao usá-los, mantenha recipientes com água no local e lembre-se de fazer pequenas pausas em lugares menos secos.
- Use óculos escuros quando estiver ao ar livre.
Armações maiores e mais ajustadas ao rosto ajudam a criar uma barreira física contra o vento frio e partículas suspensas no ar.
- Mantenha a higiene adequada das pálpebras.
O acúmulo de oleosidade e resíduos pode comprometer o funcionamento das glândulas de Meibomius, responsáveis pela produção da camada de gordura da lágrima. A limpeza pode ser feita diariamente com produtos específicos para higiene palpebral ou com gaze e água morna, sempre com orientação do oftalmologista.
- Compressas mornas na região dos olhos.
O calor ajuda a desobstruir as glândulas palpebrais, melhorando a lubrificação ocular. Uma alternativa prática e tecnológica para a realização de compressas são as máscaras descartáveis ZEISS Warm Eye Mask, que aquecem automaticamente ao entrar em contato com o ar, graças a uma reação natural do carvão ativado presente em sua composição. “As máscaras podem, ainda, ser incorporadas à rotina de autocuidado, proporcionando não apenas alívio dos sintomas do olho seco, mas também um momento de relaxamento ao longo do dia”, sugere Paula Queiroz, diretora de Marketing e Produtos da ZEISS Vision Brasil.
Quando os sintomas persistem, é fundamental procurar avaliação oftalmológica para diagnóstico correto, pois eles podem indicar outras doenças oculares, como alergias e conjuntivites. Além disso, é importante evitar a automedicação: o uso indiscriminado de colírios inadequados pode mascarar ou agravar o problema.
Fonte: Vanessa Krunfli Haddad <vanessa@targetsp.com.br>




