Um gesto simples, feito com apenas uma mão, pode ajudar mulheres em situação de violência a pedir socorro sem precisar dizer uma palavra. Conhecido internacionalmente como Signal for Help (Sinal de Ajuda), o movimento foi incorporado ao Protocolo Não se Cale, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, coordenada pela Secretaria de Políticas para a Mulher, que orienta estabelecimentos comerciais a reconhecer situações de risco e a prestar auxílio às vítimas.
Criado em 2023, o protocolo estabelece medidas de prevenção e enfrentamento ao assédio, à importunação sexual e à violência contra a mulher em bares, restaurantes, casas noturnas, espaços de eventos e estabelecimentos similares. A iniciativa orienta profissionais a identificar situações de risco, reconhecer pedidos de socorro e prestar atendimento seguro e humanizado às vítimas.
Como fazer o pedido
São movimentos simples: levantar a mão com a palma voltada para fora, dobrar o polegar em direção ao centro e fechar os outros quatro dedos sobre ele, formando um punho.
Criado em 2020 pela organização canadense Canadian Women’s Foundation, o gesto ganhou reconhecimento internacional como uma forma silenciosa de comunicar a necessidade de ajuda, inclusive em situações nas quais a mulher está sendo observada ou ameaçada.
“Esse gesto é uma ferramenta importante porque muitas mulheres, por medo ou pela presença do agressor, não conseguem pedir socorro diretamente. Mas tão importante quanto conhecer o sinal é saber como agir ao identificá-lo. Com o Não se Cale, estamos preparando profissionais para reconhecer situações de risco e oferecer um atendimento humanizado, respeitando a segurança e a autonomia de cada mulher”, afirma a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni.
Como agir
Ao reconhecer o gesto, a orientação é agir com discrição e cautela, evitando confrontar diretamente o possível agressor ou expor a mulher a novos riscos.
Nos estabelecimentos abrangidos pelo Protocolo Não se Cale, os funcionários capacitados devem acolher a mulher em um ambiente reservado, afastado do agressor – e oferecer o apoio necessário, que pode incluir acompanhamento até um meio de transporte ou acionamento da polícia, conforme a situação e a decisão da vítima.
Em casos de perigo imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
Números
Até setembro de 2026, a capacitação gratuita do Protocolo Não se Cale registrou mais de 186 mil inscritos e mais de 139 mil concluintes em todo o Estado de São Paulo. O total de inscritos aumentou 67% em relação ao mesmo período anterior, enquanto o número de pessoas que concluíram a formação cresceu 104%.
Oferecido gratuitamente na modalidade online, o curso tem carga de 15 horas, em parceria com o Procon-SP. A formação aborda os tipos de violência contra a mulher, a identificação de situações de risco, o reconhecimento de sinais de socorro e os procedimentos adequados de acolhimento e encaminhamento às redes de saúde e segurança pública.
A legislação estadual também determina que os estabelecimentos abrangidos pelo protocolo mantenham funcionários capacitados para prestar auxílio às mulheres. Além disso, devem afixar cartazes informativos sobre a iniciativa em locais de fácil visualização, inclusive em banheiros femininos.
As inscrições para a capacitação permanecem abertas e podem ser realizadas pelo site da Secretaria de Políticas para a Mulher: www.mulher.sp.gov.br/sec_mulheres/nao_se_cale.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência também podem procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou buscar orientações pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180. Em situações de emergência, o telefone é o 190.
SP Por Todas
É o movimento do Governo do Estado de São Paulo que reúne políticas públicas voltadas às mulheres nos eixos de segurança e proteção, saúde e autonomia.
Fonte: Secretaria da Mulher <graziela.massonetto@fsbcomunicacao.com.br>



