Impacto na saúde ocular

Impacto - Levantamento mostra que só 10% das mulheres sabem que a gravidez altera a visão. (Foto: Pixabay free download.)

A cena é recorrente. Gestantes, ao chegarem aos consultórios do Instituto Penido Burnier, querem uma nova prescrição de óculos ou lente de contato. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do hospital e membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), isso acontece porque na gestação as alterações hormonais, metabólicas e de circulação causam seis alterações temporárias que deixam a visão embaçada.

1.   Aumento do olho seco que geralmente é do tipo evaporativo causado pela diminuição da camada lipídica da lágrima;

2.   Maior sensibilidade à luz que pode estar associada à diminuição da lágrima, a flutuações hormonais e a mudanças na pressão intraocular;

3.   Espessamento e alteração na curvatura da córnea e do cristalino – lentes do olho que respondem pela refração e direcionam as imagens à retina. Queiroz Neto explica que, ao serem modificadas pelo aumento dos hormônios da gravidez e retenção de líquidos, estas lentes naturais do globo ocular tornam flutuantes o grau da miopia, hipermetropia e astigmatismo. Por isso, não é recomendada a troca de óculos ou lentes de contato durante a gestação. Novo exame de refração só deve ser feito após três a seis meses do parto quando os estrogênios estabilizam em níveis normais.

4.   Menor tolerância ao uso de lentes de contato provocada pela baixa lubrificação dos olhos;

5.   Diminuição da capacidade de enxergar em ambientes com pouca luz decorrente da falta de lágrima e de alterações hormonais.

6.   Redução da pressão intraocular que pode afetar a tonometria, exame que indica alteração na pressão intraocular em caso de glaucoma.

Levantamento

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do hospital e membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), afirma que a maioria das mulheres não associa a gestação a alterações na visão e ao agravamento de outras condições mais graves e pré-existentes como o ceratocone e o glaucoma nas mulheres que engravidam após os 40 anos. Para se ter ideia, levantamento nos prontuários de 754 mulheres atendidas nos últimos nove meses pelo hospital, mostra que só 10% sabem que a visão sofre alterações durante a gestação.

Tratamento e prevenção

Queiroz Neto afirma que mulheres que têm ceratocone devem planejar a gestação com o oftalmologista, programando antes o crosslinking, único procedimento que interrompe a progressão da doença com aplicação de riboflavina (vitamina B2) associada à radiação ultravioleta para fortalecer a ligações das fibras de colágeno da córnea Outro tratamento pré-gestação é o implante de anel intraestromal que aplana a córnea. Durante a gravidez o acompanhamento deve ser trimestral.

Ceratocone e Olho Seco

Para prevenir complicações no ceratocone e olho seco, Queiroz Neto recomenda manter os olhos lubrificados com lágrima artificial sem conservante, evitar ambientes climatizados, aplicar compressas frias nos olhos, manter o ambiente umidificado e evitar o excesso de telas, seguindo a regra 20/20/20 – fazendo pausas de 20 segundos olhando para algo a 20 pés (6 metros) a cada 20 minutos.

Glaucoma

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto afirma que em gestantes todo tratamento deve ser minimamente invasivo para não comprometer a saúde do bebê. “Muitas mulheres com glaucoma têm redução espontânea da pressão intraocular, mas nem todas”, pontua. Nos casos em que a pressão do olho se mantém alta, uma alternativa de tratamento é a aplicação de laser. Caso seja necessário o uso de colírio, a orientação é ocluir por dois minutos o canal lacrimal no canto interno do olho para evitar que o medicamento entre na corrente sanguínea e afete a saúde do bebê, finaliza.

Fonte: <eutropia@ldccomunicacao.com.br>

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