Nunca é demais chamar a atenção para os perigos da hipertensão, doença silenciosa que, quando deixa de ser tratada, causa danos significativos e irreversíveis a diversos órgãos do corpo. Nos olhos, a pressão elevada constante danifica pequenos vasos sanguíneos da retina, camada sensível à luz no fundo do olho, provocando uma condição conhecida como Retinopatia Hipertensiva.
O professor-doutor Michel Farah, oftalmologista do H. Olhos Unidade Ceosp, da rede Vision One, alerta que, “na maioria das vezes, a doença ocular é assintomática na fase inicial – o paciente pode ter a visão perfeita enquanto os danos já estão ocorrendo. Os sintomas, quando surgem, podem incluir visão embaçada ou turva, redução da capacidade visual e dores de cabeça relacionadas ao pico de pressão. Em casos súbitos e graves, pode ocorrer perda repentina da visão em um dos olhos”.
Embora seja mais frequente a partir dos 60 anos, a Retinopatia Hipertensiva pode ocorrer em pacientes de diferentes idades que apresentem hipertensão arterial crônica ou descontrolada. De acordo com o Ministério da Saúde, a pressão alta afeta cerca de 30% dos brasileiros adultos – o número de casos tem aumentado entre os jovens, impulsionado por sobrepeso, obesidade e sedentarismo. Para evitar danos graves à visão, é fundamental controlar a hipertensão arterial e realizar acompanhamento oftalmológico regular.
Michel Farah alerta para as condições oculares que podem surgir com o agravamento da Retinopatia Hipertensiva.
Edema Macular – Acúmulo de líquido na mácula, parte central da visão, causando distorção visual.
Oclusão de veia ou da artéria da retina – Equivalente a um “infarto” no olho, que pode levar à perda visual irreversível.
Neuropatia óptica – Danos ao nervo óptico devido à falta de circulação suficiente, podendo causar perda de visão parcial ou total permanente.
O controle rigoroso da hipertensão arterial é a medida considerada essencial para reduzir rapidamente os níveis da crise hipertensiva e estabilizar a vasculatura retiniana, acompanhado de mudanças no estilo de vida. “Nos casos mais graves e avançados, a intervenção oftalmológica pode incluir injeções intravítreas, para reduzir o inchaço da retina – fotocoagulação a laser, para selar vasos que estão vazando ou tratar áreas sem oxigenação”, explica o médico.
A Retinopatia Hipertensiva pode ser diagnosticada precocemente por meio do exame de fundo de olho – é importante que ele seja realizado por todas as pessoas que sofrem de pressão alta, independentemente de apresentarem queixas visuais. Quanto mais a doença avançar, maior será o risco de danos graves ou irreversíveis à visão. O diagnóstico na fase inicial e a rapidez no tratamento oftalmológico são fundamentais para prevenir a perda visual.
Fonte: Sig Eikmeier <sig@targetsp.com.br>




