Famílias se organizam para a retomada da rotina escolar. Seja na primeira experiência na escola, na mudança de instituição ou de turma, ou mesmo no retorno ao mesmo ambiente após semanas de horários mais flexíveis, esse período costuma despertar expectativas, curiosidade e, em muitos casos, ansiedade em crianças e adolescentes.
A fase de adaptação, ou de readaptação, pode ser positiva, tranquila e repleta de aprendizados quando há planejamento e atenção ao bem-estar emocional e pedagógico dos estudantes. Cada criança reage de forma diferente às mudanças – respeitar o ritmo individual é fundamental para uma transição saudável. Por isso, especialistas em educação reforçam a importância da parceria entre família e escola e compartilham orientações práticas para apoiar os alunos nesse recomeço, promovendo equilíbrio físico, emocional e cognitivo desde os primeiros dias de aula.
Transição
Antecipar a rotina, estabelecendo horários regulares para refeições, brincadeiras e descanso, ajustando-os gradualmente às demandas escolares, ajuda na adaptação ou readaptação. Alguns dias antes do início das aulas, por exemplo, é aconselhável ir ajustando o horário de acordar, diminuindo o despertador meia hora por dia, para que a criança se acostume a levantar mais cedo aos poucos. Além disso, o sono de qualidade é fator-chave para o desempenho escolar: reduzir o uso de telas ao menos uma hora antes de dormir melhora a produção de melatonina e favorece o descanso.
Visitar a nova escola, conhecer os espaços e conversar sobre as atividades que a criança participará ajudam a criar um ambiente de familiaridade e segurança. “Quando a criança entende o que a espera, o impacto da mudança é menor”, opina Audrey Taguti, diretora pedagógica e geral do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Envolvimento e preparativos
Incluir a criança no planejamento da volta às aulas pode fazer toda a diferença. Deixá-la ajudar a organizar a mochila ou escolher o novo caderno aumenta o vínculo com a escola, é uma forma de emponderá-la. “Isso transforma a ida à escola em algo pelo qual ela se sente responsável e motivada”, afirma Fátima Lopes, diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Além disso, envolver parentes ou amigos mais velhos que já estudam na mesma escola pode ser uma excelente forma de apresentar aspectos positivos do ambiente escolar. Esses relatos ajudam a criar uma imagem mais acolhedora e interessante da nova rotina, reforçando a confiança da criança e mostrando que a escola pode ser um espaço de aprendizado, diversão e novas amizades.
É importante conversar abertamente sobre como o estudante está se sentindo. Às vezes, o desconforto vem de inseguranças que podem ser suavizadas com empatia. “Ouvir, sem julgar, é um gesto educativo. Quando o adulto valida os sentimentos da criança, ela se sente respeitada e mais preparada para enfrentar os desafios da volta às aulas”, diz Fátima.
Para os alunos que estão retornando à escola, se possível, marque um encontro com colegas antes do primeiro dia. A volta se torna mais leve com vínculos reativados. “O pertencimento ao grupo é um dos maiores motivadores da ida à escola. A antecipação positiva, por meio do reencontro com amigos, traz acolhimento emocional”, afirma a diretora da Aubrick.
Os pais
A preparação para a volta às aulas não é apenas para as crianças, os pais também precisam se organizar emocionalmente e logisticamente para esse momento. Não é incomum, por exemplo, ver cenas de filhos darem as costas aos pais ao entrar na escola, ansiosos pelas novidades que estão por vir; enquanto os responsáveis estão aos prantos no portão – ou sentem-se até mal e culpados por uma evolução normal na vida das crianças.
A ansiedade dos responsáveis pode ser percebida pelos pequenos, tornando o processo de adaptação mais desafiador. Por isso, “é fundamental que os pais mantenham a calma, confiem nos profissionais da educação e nas escolhas que fizeram, e estejam disponíveis para acolher dúvidas e inseguranças dos filhos e de si mesmos”, avalia Ana Cláudia Favano, gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP).
Readaptação
A readaptação leva tempo, deve ser encarada com paciência e constância. Oscilações de humor, cansaço e até um pouco de resistência são esperadas. “A readaptação é como ajustar um instrumento musical: exige afinação, escuta e regulagens finas. Com acolhimento e afeto, o processo acontece”, orienta Luísa Cassaniga, coordenadora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas (SP).
Luísa aconselha que os pais estejam mais presentes na primeira semana. Ouvir relatos, perguntar sobre o dia e observar comportamentos é essencial. “Os primeiros dias sinalizam como está a adaptação. Pequenos sinais, como mudanças de humor, podem indicar que algo precisa ser ajustado com apoio e diálogo”, orienta.
A docente acrescenta ainda que a comunicação aberta entre pais, responsáveis e escola é um dos pilares para o sucesso da readaptação. “A confiança mútua favorece intervenções assertivas. Quando há acolhimento e escuta verdadeira das duas partes, o processo se torna mais leve e consistente”, finaliza a coordenadora do Progresso Bilíngue.
As especialistas
Ana Cláudia Favano, gestora da Escola Internacional de Alphaville, é psicóloga, pedagoga, educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, mobiliza grande parte de sua energia para contribuir para a formação de gerações comprometidas e responsáveis.
Audrey Taguti acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo, é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2.000.
Fatima Lopes é pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, ela mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.
Luísa Cassaniga é mestre em Educação, com sólida experiência na área. Atua há 14 anos com foco no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com especial atenção aos aspectos socioemocionais. Atualmente, é coordenadora pedagógica, papel em que alia escuta sensível, conhecimento técnico e gestão humanizada. É apaixonada por criar contextos educativos acolhedores, em que o vínculo e o cuidado impulsionam a aprendizagem.
ISP
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. Apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global.
O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tem acesso a educadores apaixonados e experientes e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades. Ele aprimora o seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo.
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Fonte: <vagner.lima@fsb.com.br>



