Botijões: como funciona o ciclo de uso e a importância da requalificação dos recipientes de GLP

GLP - Proprietárias da marca realizam a triagem a cada ciclo de reabastecimento, dentro dos procedimentos previstos para garantir a segurança da operação. (Foto: Ilustração)

Quando o gás acaba, o consumidor sabe exatamente o que fazer: acionar o revendedor e trocar o botijão. Mas existe outra troca que acontece longe dos olhos de quem está na cozinha: a substituição do próprio recipiente de aço quando ele deixa de atender aos critérios técnicos e de segurança para continuar em circulação.

Com cerca de 140 milhões de botijões em circulação no Brasil, quem determina se um recipiente deve continuar em uso, passar por manutenção ou ser retirado definitivamente de circulação não é o consumidor. As distribuidoras de GLP, proprietárias da marca impressa no recipiente e responsáveis pelo parque de botijões, realizam a triagem a cada ciclo de reabastecimento, dentro dos procedimentos previstos para garantir a segurança da operação.

Inspeção e requalificação

A permanência dos recipientes no mercado segue normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como a NBR 8865 – e está sujeita à regulamentação e à fiscalização dos órgãos competentes, entre eles, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O recipiente não tem uma “data de validade” determinada apenas pela idade. A chapa de aço pode permanecer em boas condições por décadas. O que define a continuidade do uso é sua integridade física e o atendimento aos critérios técnicos e regulatórios estabelecidos para sua utilização.

O vasilhame passa por requalificações periódicas. A primeira ocorre 15 anos após a data de fabricação e as demais a cada 10 anos, ou, antes disso, quando são identificadas condições que demandem avaliação.

Se durante a triagem na base de envasamento forem identificados amassamentos profundos, corrosão acentuada ou avarias nas alças e no pé de apoio, o recipiente é separado e encaminhado para uma empresa requalificadora credenciada pelo Inmetro.

Testes e destino

Nas requalificadoras, os botijões passam por avaliações técnicas rigorosas, que podem incluir a medição da perda de espessura da chapa de aço, a análise da integridade das soldas e o ensaio hidrostático – procedimento que utiliza água para verificar a resistência estrutural do recipiente.

Quando aprovado, o recipiente pode receber nova pintura, substituição de válvula e outros componentes, conforme a necessidade – e a identificação correspondente à próxima requalificação, retornando à cadeia de distribuição.

Já o recipiente que não atende aos requisitos técnicos de segurança é retirado definitivamente de circulação. Para garantir que não volte a ser utilizado como recipiente de GLP, passa por procedimentos controlados de inutilização, como perfuração ou prensagem hidráulica – e segue para destinação como sucata metálica, podendo ser encaminhado à indústria siderúrgica para reciclagem.

Essa operação acontece em uma escala que o consumidor dificilmente imagina. São milhões de recipientes avaliados ao longo dos anos, em processo contínuo e preventivo que integra a cadeia de segurança do GLP.

A segurança está no centro de toda a cadeia do GLP. “O botijão é acompanhado desde a sua chegada à distribuidora, passando por inspeções e verificações até o momento em que deixa de estar apto para o uso. É um cuidado contínuo e preventivo, para que apenas recipientes em condições adequadas cheguem ao consumidor”, afirma Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás.

Identificação e checagem

O consumidor pode conferir informações importantes sobre o recipiente diretamente na alça do botijão. Ali estão estampadas a data de fabricação, com mês e ano, e, caso o produto já tenha passado por requalificação, a marcação correspondente à próxima avaliação regulatória.

Caso o consumidor não encontre essas informações no produto, ou observe corrosões, amassamentos, entre outros sinais que podem comprometer a segurança, deve entrar em contato com a revendedora e solicitar a troca imediata do produto.

Ciclo de uso

1. Quem decide quando um botijão deve ser retirado de circulação?

A decisão faz parte dos procedimentos de controle das distribuidoras de GLP, proprietárias da marca estampada no recipiente, em conjunto com empresas requalificadoras credenciadas pelo Inmetro. A triagem visual ocorre a cada ciclo de reabastecimento e, quando necessário, o recipiente é encaminhado para avaliações técnicas e ensaio hidrostático, que determinam sua aprovação ou retirada definitiva de circulação.

2. Quando precisa necessariamente ser substituído.

Não. A idade do recipiente, isoladamente, não determina sua retirada. A continuidade do uso depende da integridade do material e da aprovação nas avaliações técnicas e regulatórias. A primeira requalificação obrigatória ocorre aos 15 anos de fabricação e as seguintes a cada 10 anos, permitindo que recipientes que atendam aos requisitos continuem em circulação.

3. O retirado de circulação.

O recipiente é inutilizado de forma controlada para garantir que não volte a ser utilizado como recipiente de GLP. Depois, o aço pode ser destinado à reciclagem e retornar à cadeia industrial, contribuindo para o aproveitamento do material e para a economia circular.

4. O consumidor e parte desse processo.

A troca do botijão em casa representa apenas uma etapa de uma cadeia que envolve inspeção, manutenção, envase, controle de vazamento, transporte, armazenamento e distribuição. Em cada uma dessas fases existem procedimentos voltados à segurança do produto e à integridade do recipiente, dentro de um ambiente regulado e fiscalizado.

Fonte: <fernanda.pimentel@approach.com.br>

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