Atividades para entreter as crianças

Cultura e lazer - Educadoras apontam opções educativas, divertidas e baratas que colaboram para o desenvolvimento infantil. (Foto: Freepik grátis)

Maneiras criativas para entreter as crianças em casa e fora dela, com vistas a fortalecer os laços por meio de atividades lúdicas e educativas. Para orientar as famílias, educadoras de escolas bilíngues reúnem oito dicas que estimulam o desenvolvimento, com a união de diversão e de aprendizado.

  1. Passeios

Além de entreter, passeios proporcionam vivências reais que enriquecem o repertório cultural. “Mais do que momentos de lazer, esses passeios são janelas para o mundo. Levar uma criança a diferentes espaços culturais é como acender pequenas luzes de curiosidade dentro dela. Cada experiência desperta o olhar atento, conecta o que se aprende na escola com a vida lá fora e amplia o jeito de compreender o mundo. É uma forma delicada de alfabetização cultural, em que sentir, imaginar e narrar se tornam parte essencial do aprendizado” afirma a orientadora educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), Maria Teresa Casamassima.

2. Jogos

Jogos de tabuleiro estimulam habilidades cognitivas como raciocínio lógico, resolução de problemas, memória e atenção, além de desenvolver o planejamento estratégico. “Esses jogos também promovem a escuta ativa, a argumentação e o respeito às regras, elementos centrais da comunicação interpessoal. A criança aprende a esperar sua vez, negociar e defender ideias com base em argumentos,” afirma Maria Teresa.

A educadora recomenda jogos de lógica como Damas, Xadrez, Rummikub e Uno; jogos de estratégia, como War, Banco Imobiliário e Detetive, e, de conhecimentos gerais e criatividade, como Imagem & Ação e Perfil.

3. Cozinhar

Preparar uma receita juntos é uma atividade que envolve múltiplas linguagens: leitura (de rótulos e instruções), matemática (medições), ciências (transformações dos ingredientes), e, claro, diálogo constante. “Cozinhar em família ensina a criança a organizar pensamentos em sequência lógica, a compreender instruções e a comunicar seus próprios passos, promovendo autonomia e segurança. É uma vivência de letramento funcional com afeto,” afirma a diretora da Escola Bilíngue Aubrick, da Capital Paulista, Fátima Lopes.

4. Ao ar livre

Brincar de pega-pega, pular corda, jogar bola, andar de bicicleta e de patins, montar um piquenique ou simplesmente correr no parque são atividades fundamentais para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança. “As brincadeiras ao ar livre estimulam a comunicação não verbal, a empatia, a cooperação e a criatividade. Elas também ensinam a lidar com frustrações, a esperar o outro e a expressar sentimentos por meio do corpo,” opina a diretora da Aubrick.

5. Filmes e séries

Assistir a conteúdos audiovisuais pode ser muito mais que entretenimento: é uma porta de entrada para debates e aprendizagens significativas. “Filmes e séries bem escolhidos funcionam como textos multimodais que despertam emoções, reflexões e vocabulário novo. Quando assistimos juntos e dialogamos sobre o que vimos, ajudamos a criança a desenvolver pensamento crítico, empatia e capacidade de argumentar com base em exemplos concretos,” comenta a especialista em Psicologia Positiva e gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), Ana Cláudia Favano.

A docente aconselha optar por títulos que tratem de valores humanos e temas como amizade, relações familiares, aceitação, superação, redenção. Exemplos: Divertidamente, Procurando Nemo, Shrek, Toy Story, Luca, Como Treinar o Seu Dragão e Vida de Inseto.

6. Leitura

Ler com e para as crianças estimula a imaginação, enriquece a linguagem e fortalece o vínculo familiar. “A leitura compartilhada ajuda a criança a compreender a estrutura narrativa, ampliar seu vocabulário e desenvolver fluência verbal. Além disso, é uma forma poderosa de cultivar o prazer pela leitura, tornando o ato de ler um momento afetivo e significativo e contribuindo para a formação de leitores adultos,” observa a gestora da Escola Internacional de Alphaville.

A educadora recomenda que a escolha dos títulos leve em conta a adequação à idade da criança: para as menores, livros interativos com histórias curtas sobre o cotidiano, com ilustrações grandes, cores contrastantes. Ana Cláudia indica os livros do artista Eric Carle, designer e ilustrador criador de muitos personagens mundialmente famosos e inspiradores na literatura infantil, como “The Very Hungry Caterpillar” (A lagarta Comilona), traduzido para mais de 66 idiomas e que vendeu mais de 50 milhões de cópias. Outros títulos do autor como “The Very Busy Spider”, ou “Brown Bear, Brown Bera, What do you see?!” também são muito indicados para os pequenos.

Já para crianças maiores, é possível investir em histórias com começo, meio e fim, contos de fantasia, temas emocionais e valores sociais. Entre as indicações, estão: “Marcelo, Marmelo, Martelo”, de Ruth Rocha; “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, e, “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo.

7. Visitas

Encontrar pessoas queridas durante as férias é mais do que uma socialização: é um exercício prático de comunicação afetiva, escuta e construção de vínculos. “Ao interagir com pessoas de diferentes idades e estilos de fala, a criança exercita a adaptação de sua linguagem ao contexto, desenvolve empatia e aprende a respeitar turnos de fala, promovendo habilidades sociais importantes para sua formação,” diz a diretora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue, de Indaiatuba (SP), Larissa Berdu.

8. Em família e álbum/baú

Separar fotos, relembrar histórias e criar um álbum ou baú de memórias fortalece os laços familiares e desenvolve a capacidade de expressão da criança. “Ao organizar recordações, a criança aprende a selecionar informações, criar narrativas pessoais e valorizar sua história. Esse tipo de atividade promove o letramento autobiográfico e reforça a construção da identidade, além de ser uma excelente forma de registrar o tempo vivido juntos,” finaliza a diretora pedagógica do Colégio Progresso.

As especialistas

Ana Cláudia Favano, gestora da Escola Internacional de Alphaville, é psicóloga, pedagoga, educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, mobiliza grande parte de sua energia para contribuir para a formação de gerações comprometidas e responsáveis.

Fátima Lopes é pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.

Larissa Berdu atua há mais de 30 anos na área da Educação. É formada em Pedagogia pela Unicamp e possui pós-graduação em Educação Infantil, pela Universidade Castelo Branco. Com ampla experiência em docência e gestão pedagógica, trabalhou em diferentes segmentos da Educação Básica. Desde 2.020, é diretora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP).

Maria Teresa Casamassima é educadora, com formação em Letras e Pedagogia com especialização em bilinguismo. Atua há mais de trinta e cinco anos na área da educação, com sólida experiência na promoção de práticas pedagógicas. É orientadora educacional do Ensino Fundamental – Anos Iniciais no Brazilian International School (BIS) em São Paulo. Em sua função, acompanha o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos, colaborando com professores e famílias para garantir uma formação integral e um ambiente escolar acolhedor e estimulante.

Fonte: vagner.lima@fsb.com.br (reeditado).

Compartilhe