O número de empresas que recorreram à recuperação judicial cresceu 20% no segundo trimestre de 2.026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados são do Monitor RGF-BIZDOC. São 986 pedidos registrados entre abril e junho deste ano, contra 819 nos mesmos meses de 2.025, com destaque para o comércio varejista. Para Marina Prieto, professora e coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da Estácio, o movimento reflete um cenário de maior pressão sobre o caixa das empresas e deve ser observado como um indicador de saúde financeira do setor. “O crescimento no número de empresas do varejo em recuperação judicial nos últimos 12 meses é um sinal importante de que o setor vem enfrentando um ambiente econômico bastante desafiador. A recuperação judicial, porém, não deve ser interpretada simplesmente como o resultado de uma empresa que ‘quebrou’. Em muitos casos, ela é justamente uma tentativa de evitar a falência e criar condições para que o negócio continue funcionando”, explica a professora.
Entre os fatores que ajudam a explicar o aumento está o custo do crédito. Com os juros elevados, empresas que dependem de empréstimos, capital de giro ou antecipação de recebíveis enfrentam despesas financeiras maiores. “No varejo, o cenário é ainda mais sensível pela necessidade constante de recursos para manter estoques e operações. Além dos juros, existe uma pressão sobre o próprio consumidor. Quando a renda das famílias está comprometida e o crédito fica mais caro, o consumo tende a ser afetado. Para o varejista, isso significa uma combinação difícil: vender menos ou crescer menos, ao mesmo tempo em que os custos financeiros aumentam”, afirma Marina.
A transformação do mercado também pesa sobre as empresas, especialmente diante do avanço das plataformas digitais e dos marketplaces, que ampliaram a concorrência e pressionaram preços e margens. Nesse contexto, a recuperação judicial pode ser utilizada para reorganizar as dívidas e preservar a operação. “A empresa recorre à Justiça quando está diante de uma crise econômico-financeira e precisa reorganizar suas dívidas para tentar preservar a atividade empresarial. O objetivo é criar um ambiente para renegociar os débitos com os credores e permitir que a empresa continue operando enquanto implementa um plano de recuperação”, diz a especialista.
Segundo Marina, o processo não significa necessariamente que o negócio deixou de ser viável. Uma empresa pode manter clientes, funcionários, capacidade operacional e geração de receita, mas enfrentar dificuldades para cumprir compromissos financeiros no curto prazo. “Por isso, identificar os sinais de deterioração do caixa e buscar alternativas antes que a crise se agrave pode ser determinante para a continuidade da atividade. O aumento das recuperações judiciais deve ser observado como um termômetro da saúde financeira das empresas. Mais do que olhar apenas para o número de recuperações judiciais, é importante acompanhar o que está por trás delas, como o nível de endividamento das empresas, o custo do crédito, a evolução do consumo, as margens de lucro e a capacidade de geração de caixa”, conclui Marina Prieto, professora e coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da Estácio.
A escola
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Fonte: <andrei.santana@approach.com.br>




