Solidão, ansiedade e depressão: atividades em grupo ganham força

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Vínculos sociais e práticas coletivas ajudam muito na prevenção e no enfrentamento de transtornos psicoemocionais, afirma o médico Ulysses Francisco Buono, da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP).

Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a prevalência de ansiedade e depressão aumentou mais de 25% globalmente desde a pandemia. Além disso, estudo do órgão aponta que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, condição associada ao agravamento de transtornos mentais e ao isolamento social. Com o crescimento desses casos e o esgotamento emocional na sociedade contemporânea, observa-se um fator subestimado no cuidado com a saúde mental: o isolamento social.

Da síndrome do ninho vazio ao burnout profissional, especialistas apontam que a ausência de vínculos e rotinas compartilhadas pode agravar quadros emocionais. Nesse cenário, atividades em grupo, como caminhadas, pilates, danças, leitura, saraus e cursos de artes e artesanatos, vêm sendo cada vez mais associadas à melhora do bem-estar psicológico, especialmente entre pessoas em situação de solidão, com destaque para a população idosa.

O problema também cresce entre adolescentes e jovens adultos. Segundo o relatório da OMS, 21% das pessoas entre 13 e 17 anos e 17,4% na faixa de 18 a 29 anos relatam sentir solidão com frequência. Fatores como excesso de tempo em telas, dificuldade de interação social presencial e pressão emocional contemporânea têm contribuído para o aumento do isolamento nos dois segmentos etários.

“A convivência em grupo, a prática de esportes e atividades culturais ajudam no desenvolvimento emocional e reduzem sentimentos de isolamento, ansiedade e insegurança”, afirma o pediatra Ulysses Francisco Buono, coordenador de Assistência à Saúde da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP). Ele explica que o fortalecimento dos vínculos sociais é especialmente importante durante a adolescência, período marcado por mudanças emocionais e construção da identidade.

Em um contexto de transtornos mentais e fragilidade dos vínculos sociais, iniciativas simples ganham relevância como parte de uma abordagem mais ampla de cuidado com a saúde mental. Para Artur Marques, presidente da entidade, promover momentos de integração é fundamental para o bem-estar e a qualidade da vida da população. “As atividades em grupo fortalecem os vínculos sociais, incentivam a participação coletiva e contribuem para uma rotina mais saudável e equilibrada. Criar oportunidades de interação e pertencimento é uma forma importante de cuidado com a saúde mental”, afirma.

Terceira idade

Dentre os grupos mais vulneráveis está a população idosa. Com filhos adultos, aposentadoria e redução da convivência social, muitos enfrentam o chamado ninho vazio e o isolamento progressivo.

Monalise do Carmo, geriatra no Ambulatório Médico da AFPESP, destaca que a solidão nessa fase da vida pode ter impactos amplos na saúde. “É um fator emocional associado ao declínio cognitivo, piora da saúde física e maior risco de depressão. Incentivar a participação em atividades comunitárias é uma estratégia fundamental de prevenção”, afirma.

Isso se reflete na vida de Cleide Marino, de 80 anos, funcionária pública aposentada. Ela relata que há 15 anos participa de encontros poéticos e culturais, passeios, exposições e aulas de bordados e que essas ações a ajudam até mesmo a fazer novas amizades. “É importante pensarmos em outras formas de melhorar a nossa vida. Para mim, essas atividades sociais são uma renovação que faz muito bem para a convivência e o dia a dia com as pessoas”.

Burnout e vida moderna

No ambiente profissional, o burnout também aparece como reflexo de uma rotina marcada por pressão, excesso de trabalho e pouca convivência social de qualidade. Buono frisa que o esgotamento emocional vem acompanhado de desconexão social. “O burnout não é só cansaço. É uma ruptura com o sentido do trabalho e, frequentemente, com a vida social. Recuperar espaços de convivência fora do ambiente profissional é parte importante da recuperação”, diz o médico.

Atividades

Projetos comunitários, grupos de exercício e atividades culturais têm sido ferramentas complementares no cuidado com a saúde mental. Além dos benefícios físicos, essas iniciativas ajudam a reduzir a sensação de isolamento e estimulam o convívio social.

Ana Maria Villela Alvarez Martinez, coordenadora de Educação e Cultura da AFPESP, reforça que ações culturais como coral, teatro e danças são importantes para o convívio em sociedade. “Quando as atividades são feitas em grupo, há um componente social que potencializa os resultados. As pessoas criam laços, sentem-se motivadas e mais comprometidas”, explica.

Para o coordenador de Esportes da entidade, Antônio Luiz Pires Neto, a atividade física é sempre uma aliada para o fortalecimento social. “A prática regular de algum esporte, como corridas por exemplo, traz benefícios para a saúde, enriquece laços com entes queridos e gera oportunidades para conhecer novas pessoas”.

Embora essas práticas não substituam o acompanhamento médico ou psicológico, os especialistas são unânimes em dizer que as ações em grupo podem ser um importante fator de proteção emocional.

Nesse sentido, a AFPESP mantém um calendário de ações para os associados, funcionários e familiares, visando estimular a interatividade em comunidade, com programas como trilhas ecológicas, palestras motivacionais e atividades físicas variadas. “A convivência e o contato entre as pessoas são essenciais para uma vida mais equilibrada”, finaliza Artur Marques, presidente da entidade.

Fonte: <camila.manchini@viveiros.com.br>

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