Se, há pouco tempo, a comunicação era pautada por encontros presenciais e ligações pontuais, hoje acontece de forma contínua em áudios, reuniões on-line, chamadas e mensagens instantâneas. Na prática, nunca se falou tanto. Mas, em meio à pressa e à hiperconexão, surge um questionamento: estamos usando bem a voz?
A fonoaudióloga Nara Ligia Mião Luchi Pereira, da Hapvida, aponta que a era digital trouxe agilidade, mas também distorções no uso da comunicação e, consequentemente, da voz. “Cada vez mais surgem ferramentas que prometem acelerar a troca de mensagens. Mas, muitas vezes, vemos uma falsa sensação de agilidade, com uso excessivo ou inadequado de recursos como áudios, especialmente no ambiente profissional”, explica.
Segundo ela, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como é utilizada. “Nem sempre o áudio é a melhor opção. Em muitos casos, iniciar uma conversa por texto é mais eficiente. O áudio deve ser usado com critério. Curto, objetivo e dentro de um contexto já estabelecido”, orienta.
Sobrecarga
Com a rotina cada vez mais conectada, a demanda vocal aumentou, principalmente para profissionais que utilizam a fala como principal ferramenta de trabalho, como atendentes, professores e equipes corporativas. Ainda assim, o uso excessivo da voz nem sempre é percebido. “Existe, sim, uma sobrecarga vocal em alguns contextos. A voz entra em fadiga como qualquer outra função do corpo, principalmente quando usada sem pausas e sem os cuidados adequados”, afirma Nara.
Ela destaca, no entanto, que o próprio ambiente digital também oferece alternativas para reduzir esse desgaste. “Hoje temos diferentes formas de comunicação por meio de texto, e-mail e plataformas digitais. E eles permitem variar o uso da voz e evitar o cansaço excessivo”, pontua.
Vícios
Mais do que o volume de fala, são os hábitos incorretos que mais impactam a saúde vocal. E muitos deles passam despercebidos na rotina.
Entre os principais erros, a especialista destaca: Falar sem respirar adequadamente, não fazer pausas durante a fala, usar a voz de forma tensa ou sem entonação, falar com a boca seca.
Manter hábitos, como alimentação inadequada, além de evitar consumo de álcool em excesso e tabagismo, são pontos relevantes. “Falar sem pausas é como tentar seguir uma frase sem vírgulas ou pontos. A respiração precisa acompanhar a fala. Essas pequenas pausas são essenciais para manter a qualidade vocal”, explica.
A falta de pausas e de hidratação ao longo do dia é um dos principais fatores de desgaste vocal, segundo ela. E, embora resistente, a voz dá sinais quando está sendo mal utilizada. “A voz bem usada consegue atender toda a demanda do dia. Mas, quando há abuso, ela responde com sinais de cansaço, como pigarro, rouquidão e falhas”, alerta a fonoaudióloga Nara Ligia Mião Luchi Pereira, da Hapvida.
Alguns sintomas, muitas vezes ignorados, podem indicar necessidade de cuidado. “A rouquidão e a sensação de ardor na garganta, sem sinais de gripe, especialmente ao fim do dia, são sinais importantes. Se a rouquidão durar mais de 15 dias ou houver dor ao engolir, é fundamental procurar avaliação profissional”, orienta a fonoaudióloga.
Mudanças
Em meio à rotina corrida, preservar a voz exige atenção a hábitos simples e possíveis de aplicar no dia a dia. Entre as principais recomendações da fonoaudióloga estão: alternar formas de comunicação (texto, áudio, ligação), manter a ingestão regular de água, adotar uma alimentação equilibrada, fazer pausas durante a fala, utilizar entonação para facilitar a comunicação. “Usar a voz com equilíbrio é essencial. Pequenas mudanças de comportamento já fazem grande diferença na preservação da saúde vocal”, finaliza a fonoaudióloga Nara Ligia Mião Luchi Pereira, da Hapvida.
Fonte: Hapvida loreta@phideias.com.br/Phábrica de Ideias – Assessoria de Comunicação e relacionamento com a imprensa.




